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terça-feira, março 31, 2009

para memoria futura

Projecto Hidroagrícola de Macedo de Cavaleiros

 Designação e Localização

O Aproveitamento Hidroagrícola de Macedo de Cavaleiros localiza-se em Trás-os-Montes, Distrito de Bragança, na transição entre as chamadas “Terra Quente” e “Terra Fria”, ocupando parte do Concelhos de Macedo de Cavaleiros e uma pequena parte do Concelho de Mirandela.

Projecto Hidroagrícola de Macedo de Cavaleiros

Prevê-se beneficiar uma área aproximada de 5.300 ha, tendo como base o potencial hídrico acumulado na albufeira do Azibo com cerca de 54,47 milhões de m3, conseguido pela construção de uma barragem de terra com 56 m de altura e 551 m de comprimento, aproximadamente a 1 km a Norte da aldeia de Vale da Porca.

Objectivos

Os objectivos gerais do Projecto são os seguintes:

  • Criar um núcleo rural evoluído, de modo a funcionar como pólo de desenvolvimento regional, capaz de contribuir para o progresso do sector secundário;

  •  Elevar o rendimento per capita da população e o seu nível cultural e profissional;

  •  Promover condições para o retorno dos emigrantes. 

Os objectivos específicos do Projecto são os seguintes:

a)     Reconversão ao regadio de cerca de 5.300 ha, repartidos por diversos blocos a serem equipados em 2 fases:
1ª fase  Blocos de Macedo, Salselas e Cortiços, num total de 3.000 ha.
2ª fase  Blocos de Limãos, Castro-Roupal e Morais, totalizando 2.300 ha.

b)     Abastecimento domiciliário às populações de Macedo e aldeias vizinhas. O cumprimento destes objectivos tem como base a utilização da água armazenada na albufeira criada pela barragem do Azibo, construída a cerca de 5 km a NE de Macedo de Cavaleiros, junto da aldeia de Vale da Porca.

Descrição do Projecto

A área a beneficiar no projecto original era de cerca de 5.200 ha, distribuídos pelos seguintes blocos:

Macedo de Cavaleiros1.600 ha
Salselas730 ha
Cortiços1.060 ha
Brinço1.790 ha

Em 1984/85 foi promovido pela ex-DGHEA, o estudo de “Viabilidade da utilização das disponibilidades de água da albufeira do Azibo”, que concluiu por uma revisão da área a regar, alteração que teve o acordo da DRATM e que levou à seguinte distribuição por blocos:

·       Margem Direita:Aspecto do paramento de jusante da Barragem do Azibo

Macedo de Cavaleiros1.600 ha
Cortiços1.060 ha

 ·       Margem Esquerda:

Limãos300 ha
Castro Roupal1.140 ha
Salselas382 ha
Morais910 ha

Num total de 5.300 ha.
A origem da água no Aproveitamento é, como se disse, a albufeira criada pela construção de uma barragem de terra no rio Azibo, iniciada em 1979 e concluída em 1983, com as seguintes características:

Área da bacia hidrográfica

91 km2

Capacidade de armazenamento total

 54,47 hm3

Capacidade de armazenamento útil

47,63 hm3

Volume morto

6,84 hm3

Cota do coroamento

606,00 m

NPA

602,00 m

NMC

603,65 m

NME

580,00 m

Área da albufeira

410 ha

Largura do coroamento

10 m

Comprimento do coroamento

551 m

Altura da barragem

56 m

Inclinação do paramento de montante

3,00/1

Inclinação do paramento de jusante

2,25/1

Número de banquetas

 3

A estação elevatória está equipada com:

a) Para o regadio da margem direita:

Número de grupos de eixo vertical

3

Tipo de bomba: heliocentrifuga, monocelular vertical com impulsor semi-aberto
Potência unitária

400 cv

Caudal máximo unitário

5.400 m3/h

Velocidade de rotação

985 rpm

Diâmetro da conduta elevatória

1,25 m

Altura de elevação manométrica mínima

8 m

Altura de elevação manométrica máxima

29 m

Estação elevatória do AziboEste equipamento apenas serve a 1ª fase. Para a 2ª fase, haverá que aumentar a capacidade de bombagem da estação (para a margem esquerda). A potência total instalada é de 1.750 kW.

b)  Para o regadio da margem esquerda:

Número de grupos de eixo horizontal

4

Potência unitária

300 cv

Caudal máximo unitário

1.008 m3/h

Diâmetro da conduta elevatória

0,6 m

Altura da elevação manométrica mínima

38 m

Altura da elevação manométrica máxima

59 m

Este equipamento apenas serve a 1ª fase. Para a 2ª fase, haverá que aumentar a capacidade de bombagem da estação (para a margem esquerda). A potência total instalada é de 1.750 kW.

Rede Primária de Rega (1ª fase):

·  Margem Direita:

Bloco de Macedo de Cavaleiros
Canal Condutor geral a céu aberto de secção trapezoidal, revestido com lajes de betão de 0.07 m de espessura e tela betuminosa.
Regulação de caudais por montante
Espaldas inclinadas a 1:1
Inclinação longitudinal da rasante: 0,0003 m/m
Comprimento: 19 km
Caudal máximo: 2,6 m3/s
Reservatórios de regularização: 6 (Volume total 8 036 m3)
Módulos tipo Neyrpic: 4
Comporta AVIO 110/200: 1
Pontes canal: 5 pontes com inclinação de 0,0005 m/m

Bloco dos Cortiços
3,3 Km de conduta em tubagem  de PEAD de 900 mm de diâmetro.

·  Margem Esquerda:

Reservatório sobrelevado: VA = 790 m3
Cota = 650,0 m

Para a margem direita, a conduta elevatória é de PRV (fibra de vidro) com 1,25 m de diâmetro; para a margem esquerda, o diâmetro da conduta é de 600 mm, havendo um troço metálico (323 m) e um troço em fibrocimento (543 m). O comando previsto para a rede primária é por montante, utilizando descarregadores frontais tipo “bico de pato”.

Rede Secundária de Rega:

Dado que o sistema de rega preconizado é a aspersão, a água é distribuída aos beneficiários sob pressão, através de uma rede de condutas em fibrocimento (enterrada). De acordo com o projecto, a distribuição é efectuada de um modo rígido por rotação. Garante-se uma pressão mínima de 2,5 kg/cm nas bocas de rega. O Bloco de Macedo de Cavaleiros foi inicialmente equipado com bocas de rega constituídas por válvula de cunha de 2,5 polegadas, com flange na extremidade de saída. Os Blocos dos Cortiços e de Salselas estão equipados com hidrantes, dotados de regulador de pressão, limitador de caudal e contador volumétrico.

Faseamento

Em 2002, encontram-se concluídos os seguintes Blocos:
Macedo de Cavaleiros — construção de 1984 a 1989.
Salselas — construção em 1987.
Cortiços — construção de 1993 a 1999.
As acções efectuadas foram as seguintes:

  • Construção das redes secundárias de rega, drenagem e terraceamento do Bloco de Macedo de Cavaleiros, numa extensão de 83 km, em tubagem de fibrocimento;

  • Construção da rede secundária de rega do Bloco de Salselas, numa extensão de 22,5 km, em tubagem de fibrocimento;

  • Construção de 20 pontões no Bloco de Macedo, 4 em Salselas e 5 nos Cortiços;

  • Adaptação ao regadio (ripagem) cerca de 300 ha de solos das classes IV e V no Bloco de Macedo;

  •  Aquisição e disponibilização de material móvel de rega por aspersão, cobrindo aproximadamente 200 ha;

  • Canal Condutor GeralConstrução da rede secundária de rega do Bloco dos Cortiços (Condutas C.8 e C.9), numa extensão de 95 km, em tubagem de fibrocimento, de ferro fundido dúctil e de PVC;

  • Construção do edifício da Associação de Beneficiários;

  • Construção do Canal Condutor Geral da margem direita em cerca de 3,3 km, em tubagem PEAD;

  • Impermeabilização do Canal Condutor Geral da margem direita (20 km), com membrana betuminosa;

  • Construção de caminhos em Castelãos, Salselas, Vale da Porca e Carrapatas;

  • Montagem de hidrantes em Salselas.

Até ao final do projecto, prevêem-se ainda efectuar as seguintes acções:

  • Execução das redes de rega dos Blocos de Limãos, Castro-Roupal e Morais-Lagoa (2.300 ha);

  • Execução de  caminhos rurais na área do perímetro;

  • Construção do Canal Condutor Geral da margem esquerda;

  • Automatização da rede primária da margem direita;

  • Construção de uma Central Mini-hídrica;

  • Elaboração da planta parcelar cadastral do Bloco de Macedo de Cavaleiros.

 Caracterização Geral 

A) Solos

Os solos beneficiados estão maioritariamente incluídos nas classes III e IV de aptidão para o regadio, tendo em conta a sua natureza, espessura efectiva, capacidade utilizável e risco de erosão.
De facto, estamos em presença de solos mediterrâneos vermelhos ou amarelos, de materiais não calcários, de depósitos argiláceos, “rañas” ou de xisto, bem como de mediterrânicos pardos de xistos ou de margas associadas a xistos (classe IV). A classe III inclui coluviossolos não calcários de textura ligeira e na classe II foram incluídos os poucos aluviossolos presentes.
Uma elevada percentagem de esqueléticos de xisto da classe IV (ver Quadro I), obrigou a que tivesse sido realizada uma intervenção, no sentido de melhorar as condições pedológicas, com recurso a ripagem de 80 cm, tendo sido beneficiados cerca de 300 ha no Bloco de Macedo.

Quadro I – Classe de Aptidão dos Solos

Classe de Aptidão

Áreas dos Blocos (ha)

MacedoSalselasCortiçosCastro
Roupal
Morais
Lagoa
I + II---------

40,0

---
II44,017,430,0175,0310,0
II+III---------190,0190,0
III445,0246,795,0145,0---
III+IV---------60,0

40,0

IV737,0254,7195,0 205,0---
IV+V12,0---5,0165,0230,0
V494,0208,4682,0160,0140,0
VI31,011,058,0------
Total1.763,0738,21.065,0

1.140,0

910,0

B) Clima

Precipitação Mensal (Ano Médio)O Aproveitamento situa-se, como se disse, numa zona climática de transição, com características sub-mediterrânicas (verificável no tipo de revestimento vegetal espontâneo) e simultaneamente sub-atlânticas típicas dos vales sub-montanos, entre as cotas 500 m e 600 m.

Com temperaturas máximas no Verão (principalmente em Julho), que frequentemente atingem os 35 oC, o clima da zona, segundo THORNTHWAITE, é classificado como sendo sub-húmido, húmido, mesotérmico, com grande deficiência de água no Verão (Índice de Aridez = 41,5%). Ocorrendo o período seco em época favorável à actividade vegetal, sem dúvida que o recurso à prática da rega será muito benéfico.
O  gráfico mostra a pluviosidade no ano hidrológico médio.

C) Características Sociológicas

Um estudo elaborado pela ex-DGHEA, em 1978, — “Estruturas das Explorações - Situação Actual - Bloco de Macedo” —  retrata, de uma forma assaz elucidativa, a caracterização sociológica da zona. As extrapolações para a actualidade e para as outras áreas dentro do Aproveitamento são, de um modo geral, ainda válidas.
Os agricultores têm maioritariamente idade superior a 50 anos, baixo grau de instrução e praticam uma agricultura de subsistência.
Mais de metade das explorações, quase 70%, têm menos de 1 ha (ver Quadro II), sendo constituídas por diversos prédios de reduzida área, tendo-se registado tendência para que esta fragmentação tenha aumentado, desde a data em que foi realizado o inquérito atrás citado (ver Quadro III).

Quadro II – Explorações por Classes de Área a Beneficiar
                 (Bloco de Macedo de Cavaleiros)

 Classes de Área (ha)

 Explorações

 Área total

 Área Média das Explorações (ha)

%

%
Acumulada

(ha)

%

%
Acumulada

0 - 0,3

 309

 34,8

---

 43,36

 2,7

---

 0,14

0,3 - 1

 283

 31,9

 66,7

 154,56

 9,7

 12,4

 0,55

1 - 3

 174

 19,6

 86,4

 302,24

 18,9

 31,3

 1,74

3 - 5

 58

 6,5

 92,9

 229,44

 14,3

 45,6

 3,96

5 - 10

 30

 3,4

 96,3

 225,12

 14,1

 59,7

 7,50

10 - 20

 22

 2,5

 98,8

 277,92

 17,4

 77,0

 12,63

20 - 50

 10

 1,1

 99,9

 300,50

 18,8

 95,8

 30,05

> 50

 1

 0,1

 100,0

 66,86

 4,2

 100,0

 66,86

Total

 887

 100,0

---

1.600,00

 100,0

---

 1,80


Quadro III – Explorações por Número de Prédios

Nº de Prédios

Explorações por Prédio a Beneficiar

Explorações por total de Prédios

%

% Acumulada

%

% Acumulada

1

 39,1

---

 3,4

---

2

 16,2

 55,3

 2,2 

 5,6 

2 - 4

 11,2

 66,5

 10,6

 16,2

4 - 6

 11,7

 78,2

 14,0

 30,2

 6 - 10

 10,6

 88,8

 19,6

 49,8

 10 - 20

 10,1

 98,9

 25,0

 74,8

20 - 50

 1,1

 100,0

 19,6

 94,4

> 50

 0,0

 100,0

 5,6

 100,0

Total

 100,0

---

 100,0

---

D) Ocupação Cultural

No ano 2002, quase 75% da área beneficiada é destinada à produção de cereais de Inverno e forragem para fenar (lameiro). O olival está bem representado, particularmente no Bloco de Macedo (282 ha).
A identificação da ocupação cultural foi inicialmente feita à data do início do Projecto. Mais tarde, a Direcção Regional de Agricultura de Trás-os-Montes indicou as culturas mais adequadas ao regadio para o Bloco de Macedo.

Quadro IV — Ocupação Cultural do Bl. de Macedos

Culturas

Ocupação anterior às Obras

Ocupação Proposta

(ha)

%

(ha)

%

Cereais

810

50,5

---

---

Hortícolas

129

8,0

440

27,4

Lameiros

319

19,9

---

---

Pomar

44

2,7

871

54,3

Olival

292

18,2

292

18,2

Incultos

9

0,6

---

---

Total

1.603

100,0

1.603

100,0

Na elaboração do plano do Aproveitamento, foram propostas alterações significativas aos sistemas de exploração tradicionais (ver Quadros IV, V e VI). Porém, numa região com tradição pecuária em efectivo bovino e ovino, a utilização dos solos, anteriormente dedicados a culturas outono-invernais, para produções primaveris com incorporação directa na exploração pecuária, como por exemplo milho forrageiro, sorgo e luzerna, tem vindo a ganhar terreno.

Quadro V — Ocupação Cultural do Bl. de Salselas

Quadro VI — Ocupação Cultural do Bl. de Cortiços

Culturas

Ocupação anterior às Obras

Ocupação Proposta

(ha)%(ha)%
Cereais

366,0

50,7

---

---

Hortícolas

54,0

7,5

240,0

33,3

Lameiros

195,0

27,0

---

---

Pomar (*)

1,4

0,2

420,0

58,2

Olival

62,5

8,7

61,8

8,6

Vinha

15,5

2,1

---

---

Floresta

13,4

1,9

---

---

Incultos

14,0

1,9

---

---

Total

721,8

100,0

721,8

100,0

Culturas

Ocupação anterior às Obras

Ocupação Proposta

(ha)%(ha)%
Arvenses

416,0

42,9

50,0

5,2

Hortícolas

67,0

6,9

250,0

25,8

Lameiros

76,0

7,8

---

---

Pomar (1)

28,0

2,9

60,0

6,2

Pomar/Pastagem

---

---

350,0

36,1

Olival

286,0

29,5

200,0

20,6

Vinha

38,0

3,9

25,5

2,6

Vinha/Olival

55,0

5,7

34,4

3,5

Floresta (2)

1,9

0,2

---

---

Incultos

2,0

0,2

---

---

Total

969,9

100,0

969,9

100,0

(*) Na ocupação proposta incluiu-se macieira, castanheiro, nogueira e cerejeira com pastagem sob coberto.

(1) – Na ocupação proposta incluiu-se macieira, castanheiro, nogueira e cerejeira com pastagem sob coberto.
(2)  – Incluiu-se pinhal, souto e sobreiral.

 

Execução Financeira

O Projecto teve o seu início em 1983, tendo havido, de 1983 a 1986, a participação do Banco Europeu de Investimentos. Em 1 de Abril de 1987 foi negociado um financiamento ao abrigo do “Fond de Rétablissement du Conseil de l'Europe”, destinado ao Projecto. O custo total do Projecto era então estimado em 1.635.963 contos, sendo solicitado ao FRCE o financiamento equivalente a 40% deste valor (654.835 contos). A participação portuguesa, através das dotações do Estado, seria de 60% (981.578 contos).

De 1995 a 2001 todos os investimentos foram realizados através do PAMAF – Medida 1 – Acção 1.1 – Grandes Regadios. A partir desta data, todos os investimentos passaram a ser financiados pelo Programa AGRO – Medida 4.

Os investimentos efectuados foram os seguintes:

Empreitada

Data deConclusão

Valor Despendido

Rede de Rega do Bloco de Macedo de Cavaleiros

Mar 1989

251.897.419$00

Rede de Rega do Bloco de Salselas

Fev 1990

98.062.264$00

Rede de Rega da Conduta C.7

Abr 1990

61.085.726$00

Edifício da Associação de Beneficiários

Dez 1993

132.702.315$00

Rede de Rega do Bloco de Cortiços (Condutas C.8 e C.9)

Jul 1993

211.123.200$00

Montagem de hidrantes no Bloco de Salselas

Jun 1999

29.324.435$00

Rede Secundária de Rega do Bloco de Cortiços (Conduta C.10) e obras complementares dos Blocos de Macedo e Salselas

Ago 1999

454.316.796$00

Canal Condutor Geral do Bloco de Cortiços e Impermeabilização do Canal Condutor Geral do Bloco de Macedo de Cavaleiros

Jun 2000

560.840.138$00

Fornecimento e montagem de hidrantes para as condutas C.8 e C.9 do Bloco dos Cortiços

Jun 1999

72.677.495$00

Presentemente estão em fase de pré-adjudicação o projecto de execução da planta parcelar cadastral do perímetro de rega das condutas C.1 a C.6.1 do Bloco de Macedo de Cavaleiros e a empreitada de execução do caminho agrícola do Vimieiro-Romeu-Ugeira.