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terça-feira, outubro 13, 2009

Escultura de junta de vacas em tamanho real no Museu de Salselas

Carro já existia, faltava uma junta de vacas para completar a réplica, em tamanho real, do meio de transporte agrícola mais característico do concelho antes da chegada do tractor. Com a compra da escultura cumpre-se assim o desejo do fundador do Museu Rural de Salselas, que considera este artefacto a peça mais importante do espaço.

O carro de bois foi um dos motivos em que se baseou António Cravo para propor a construção do Museu de Salselas. É que, no século passado existiu nesta localidade uma das maiores oficinas de construção de carros de bois da região. Alguns dos carpinteiros que ali trabalhavam ainda são vivos, pelo que não foi difícil ao mentor da obra adquirir os exemplares fieis dos que então ali se fazia.

No entanto, para completar o “quadro” dedicado ao meio de transporte da actividade agrícola mais característico da época anterior à introdução do tractor faltava colocar os exemplares, em tamanho real, de uma junta de vacas. A ideia pairava há muito tempo na mente do fundador do museu, mas faltavam os artistas para lhe dar corpo. António Cravo bateu à porta de muitas oficinas de escultores, mas foi no ateliê da Artes Plásticas e Restauro IKTUS, de Bragança, de Ofélia Marrão, que encontrou a oficina que lhe garantiu a reprodução mais fiel dos exemplares em tamanho real e cor natural de duas vacas de raça mirandesa.

Com esta opção, o fundador do museu juntou o útil ao agradável, porque, além de não ter encontrado em outros ateliês de diferentes pontos do país quem fosse capaz de garantir uma reprodução tão fiel do que pretendia, ainda conseguiu poupar algum dinheiro porque nenhum deles apresentou uma proposta financeira tão favorável como a que foi fornecida pela oficina de Ofélia Marrão.

Enquanto procurava oficinas, ainda foi sugerida a António Cravo a ideia de mandar embalsamar duas vacas, ideia que o escritor rejeitou, não só porque a lei portuguesa não permite esse tipo de actividade, mas também porque não é adepto desse tipo de operação.

No entanto, além da escolha da oficina, foi a componente financeira que atrasou o completar do meio de transporte agrícola. A escultura, de madeira, acabou por ser patrocinada pela Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e pela Junta de Salselas.

Um investimento que António Cravo considera justificável quer pela importância do artefacto, quer porque não vê no panorama regional qualquer escultura que reproduza fielmente, em tamanho e cor, exemplares da raça bovina mirandesa. Conhece a escultura em bronze, colocada numa rotunda de Bragança, que reproduz uma luta de touros, mas em tamanho exagerado, que não corresponde, nem na cor nem no tamanho, as características da raça bovina mirandesa.

João Branco, Semanário Transmontano, 2008-09-29


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