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quinta-feira, maio 19, 2011

Epidemia baniu Banrezes

O caminho em terra batida, que começa junto do Santuário de Santo Ambrósio, parece não levar a lugar algum. Contudo, centenas de metros depois, começa a vislumbrar-se um vale, onde lameiros, montes e ruínas de habitações de arquitectura tipicamente rural comungam em perfeita sintonia.

Ruínas de antigas habitações lembram outros tempos
Jornal Nordeste/Sandra Canteiro

Recortados pelo rio Azibo, onde ainda se contemplam aquilo que resta de velhos moinhos, os terrenos acolhem edifícios que, em tempos, albergaram um punhado de famílias.

Banzeres, na freguesia de Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros, é, hoje, um lugar que guarda memórias e surpreende qualquer humano.

Outrora sede de freguesia, sobre a aldeia ainda paira o espectro da epidemia que, há cerca de 150 anos, dizimou grande parte da população.

Segundo reza a lenda, o fenómeno ocorreu na sequência da lavagem de um caixão, cujos vestígios terão contaminado a água das fontes e do rio Azibo. Os sobreviventes, com medo da doença, fugiram para as aldeias mais próximas.

"Ouvi contar que, como morria muita gente, o caixão era comunitário. Decidiram, então, ir lavá-lo numa fonte onde corria muita água. As pessoas diziam que foi de terem lavado lá o caixão que os populares começaram a morrer e como tinham medo que fosse da água, foram todos embora", recordou Helena Cavalaria, a última habitante a sair de Banzeres.

Santuário de Santo Ambrósio recebe milhares de peregrinos todos os anos, Banzeres e a sede de freguesia surgem, inevitavelmente, ligadas ao santuário de Santo Ambrósio, cujas histórias circulam de boca em boca um pouco por todo o lado.

Amélia Celas, habitante em Vale da Porca, conta que "umas raparigas iam a pé para casa quando foram surpreendidas por lobos. De repente, a porta da capelinha abriu-se para as meninas entrarem e fechando-se de seguida. Só depois dos lobos passarem e já não haver qualquer perigo, é que a porta se voltou a abrir".

Segundo se diz, o Santo Ambrósio é, também, o responsável pela recuperação do pai do cantor Roberto Leal, que, tendo ficado cego aos 40 anos, sonhou com o santo milagroso que lhe disse para pedir a cura ao Santo Ambrósio. Nessa mesma noite, começou a ver.

Na região contam-se, ainda, muitas outras histórias e feitos que levam, todos os anos, milhares de pessoas em romaria a Vale da Porca.

Jornal Nordeste/Sandra Canteiro
11:39 Quarta feira, 23 de setembro de 2009


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